Rodrigo Constantino |
| Posted: 14 Jul 2013 05:18 PM PDT Minha nova coluna-vídeo para o GLOBO sobre o Ato Médico do governo. | ||
| Posted: 14 Jul 2013 03:31 PM PDT
O que leva alguém a encher o corpo todo de tatuagens e piercings? O tema veio à tona depois que uma jovem moça não só espalhou tatuagens estranhas até pela face, falando em "demônio", como tatuou os próprios olhos de vermelho, e ainda implantou um soco inglês de silicone nas mãos. A bizarrice chocou, e essa só pode ter sido sua intenção: chocar, chamar a atenção, clamar por um minuto de fama (que vai lhe custar o resto da vida desse jeito). Em meu canal do Facebook, escrevi: Isso é uma mente muito perturbada gritando por socorro, desesperada para chamar a atenção de alguém, que lhe imponha alguma limite. Não sou médico, nem psiquiatra, nem psicólogo, mas tenho um mínimo de bom senso, e ainda não perdi meu juízo no mundo moderno do relativismo exacerbado. Aqui, vou usar os argumentos de alguém da área. Trata-se de Joel Birman, renomado psicanalista, que escreveu um texto justamente com esse título: Tatuando o desamparo - A juventude na atualidade. Com a palavra, Birman: As crianças e os jovens são muito mais deixados à deriva do que outrora no campo da família, pelo grande número de horas que ficam sem a presença dos pais, que saem para o trabalho. Não obstante a intensa agenda de atividades complementares à escola, a que são aqueles submetidos como um imperativo - esportes, aprendizado de línguas dentre outras - tal preenchimento de tempo não tem a mesma economia afetiva que a presença dos pais. Esses, no melhor dos casos, são substituídos por empregados, que também não têm a mesma incidência afetiva das figuras parentais. O efeito maior disso é um sentimento de abandono que é provocado, pois, repito, a relativa ausência materna não foi substituída pela maior presença paterna. A suplência não ocorre, já que o formalismo relacional que marca as atividades escolares e extra-escolares não supre a precariedade de investimentos das crianças e jovens. [...] Nesse contexto, os jovens ficam inapelavelmente entregues à cultura da televisão, que acabou por ter freqüentemente muito mais efeitos sobre eles do que os discursos escolar e parental. A exposição precoce à sexualidade e à violência se incrementa e se dissemina, provocando, em contrapartida, modalidades novas de sexuação e o engendramento da agressividade. Esses seriam, com efeito, os únicos meios que os jovens encontram para suprir a carência de cuidados e a solidão de suas existências. [...] Tudo isso conflui, no campo das elites e das classes médias altas, para uma condição paradoxal da juventude. Permanecem na casa dos pais, protegidos então por estes, mas querendo levar uma existência de adultos. Passam a viver assim quase maritalmente com seus namorados e namoradas, na casa dos pais. Com isso, a confusão geracional se institui também aqui, pela indiscriminação entre jovens e adultos, isto é, entre filhos e pais. Quem são eles, afinal de contas? Adultos ou crianças? Adolescentes protegidos ou adultos? O quadro que aqui se configura é eminentemente esfumaçado e borrado, com fronteiras e confins mal delineados. [...] Quando a privação relativa se conjuga com a fragilização e a infantilização, declinando tudo isso no contexto social de falta de horizonte para o futuro, não deve nos espantar que as culturas das drogas e da violência se imponham como marcas da juventude hoje. Isso porque as drogas funcionam como antídotos para o sofrimento dos jovens, pelo gozo e pela onipotência que lhes possibilitam, o exercício da violência e da agressividade em geral são as contrapartidas para a impotência juvenil nos tempos sombrios da atualidade. [...] Ao lado disso, diante da falta de horizonte de futuro e na posição infantilidade em que se situam hoje, a juventude se inscreve decididamente na cultura do espetáculo que perpassa a cultura contemporânea. Assim, todos querem ser celebridades e até mesmo como pop-stars, como contrapartida onipotente para a impotência vertiginosa em que estão lançados. [...] A cultura da tatuagem, que hoje se dissemina, é uma das formas de singularização buscada atualmente pelos jovens, diante da invisibilidade identitária que os marca a ferro e fogo. Tal como os antigos marinheiros, lançados que eram na aventura de atravessar os incertos oceanos tempestuosos, sem lenço nem documento, com efeito, a juventude marca o seu corpo com tatuagens como formas desesperadas para adquirir alguma visibilidade, isto é, para ser identificada e singularizada. [...] Pode-se reconhecer em tudo isso, enfim, o desamparo que caracteriza a juventude hoje, que inscreve e marca dolorosamente no seu corpo, lancetado pelas tatuagens, a sua condição psíquica torturada. Entendo que cada caso é um caso, e somente uma análise mais profunda acerca da singularidade de cada um pode oferecer uma resposta mais clara. Mas considero a análise geral feita por Birman bastante acurada para explicar o fenômeno. Vale dizer que tatuagens ficaram banalizadas já, assim como drogas mais leves, como a maconha. Portanto, nessa busca desesperada por chamar a atenção e marcar sua singularidade no próprio corpo, a tendência pode ser exatamente essa escalada para drogas cada vez mais potentes e bizarrices tomando conta do corpo inteiro. Em minha leitura, agora corroborada pela análise de um especialista da área, esse tipo de aberração é um desesperado grito de socorro. | ||
| Posted: 14 Jul 2013 01:54 PM PDT Rodrigo Constantino Aquilo que todos já sabiam agora tem comprovação numérica: o governo privilegia os sites "progressistas" na hora de soltar a verba. Ou seja, o critério não é audiência, como diz o governo, mas sim alinhamento ideológico, proselitismo, propaganda estatal, "jornalismo" chapa-branca. Diz a reportagem: Mas um critério político parece também desequilibrar a balança com o dinheiro estatal. Páginas com viés ideológico de esquerda, como Carta Maior, Conversa Afiada e Ópera Mundi (este, parceiro de conteúdo do UOL), foram agraciadas com um dinheiro público que não corresponde a quantidade de pessoas que passam por seu conteúdo. A Carta Maior, por exemplo, recebeu mais verba publicitária que a Folha, que tem 157 vezes mais páginas visitadas por mês. Já blog Conversa Afiada, que faz parte da autodenominada "blogosfera progressista", ganhou mais em propaganda estatal que o portal da Abril, que tem 62 vezes mais audiência que a página comandada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim. A reportagem do UOL questionou a Secom sobre o assunto e recebeu a seguinte resposta: "A audiência é, sim, o principal critério norteador da programação publicitária para qualquer veículo de comunicação, incluindo sites e blogs, por parte do governo federal, administração direta, indireta e estatais. A relação dos veículos do meio internet com os maiores valores planejados para as ações publicitárias em 2012 segue este critério. Porém, esta lista pode também ser influenciada pelas especificidades e necessidades de comunicação de cada órgão do governo federal e do volume de recurso de cada órgão destinado às ações de publicidade do meio internet, o que interfere no ranking final. Não se espera de uma campanha destinada a estimular o aleitamento materno, por exemplo, o mesmo perfil de veiculação de uma campanha de estatal destinada a promover um tipo de óleo lubrificante. Cabe esclarecer que a Secom, desde 2008, torna disponíveis em seu site todos os dados globais do planejamento dos investimentos de mídia publicitária (Fonte IAP) do governo federal, por meio e por órgão da administração direta. A partir da implantação da Lei do Acesso à Informação esse processo de divulgação vem sendo aprofundado e detalhado. Devido à grande quantidade de veículos e à necessidade de checagem e consolidação de dados, esse trabalho de divulgação vem sendo feito gradativamente." Essa simbiose entre estado e "imprensa" é absurda. O governo usa o nosso dinheiro para fazer propaganda na internet, para comprar "jornalistas" que se vendem de forma escancarada, deixando suas convicções de lado. A justificativa do governo é de incrível cara-de-pau. Esse cordão umbilical precisa ser cortado. Não é correto o governo destinar recursos públicos para esse tipo de propaganda enganosa. Esses sites não gozam de credibilidade ante o público, o que explica a baixa audiência; mas é um ultraje desviar recursos escassos para esse tipo de fim imoral. Chega de fazer propaganda indireta com nosso dinheiro! |
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